segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Gestão escolar - Autoritária X Democrática

Filme A onda
Nos tempos atuais, a gestão escolar brasileira se baseia principalmente em um modelo autoritário de gestão, na qual a direção da escola é centralizada em apenas um indivíduo, o diretor. Segundo Libâneo (2003), neste modelo de gestão as decisões são tomadas de cima para baixo, obedecendo a uma hierarquia previamente estabelecida, não levando em consideração as opiniões dos professores, alunos, pais e toda a comunidade, dificultando suas participações.
Infelizmente, este modelo de gestão gera a desmotivação dos professores, por não terem espaço nas tomadas de decisão e também causa certo desinteresse dos alunos, que não conseguem relacionar a sua vida escolar com a sua vida pessoal. Esses fatos ficam bem claros na afirmação: "A escola não está ilhada, mas sim inserida numa comunidade concreta, cuja população tem expectativas e necessidades específicas que precisam ser levadas em conta." (Setubal, 1995, pág. 4); ou seja, esses elementos (professores, alunos, pais, comunidade) devem trabalhar em conjunto no processo de educação.
Gestão democrática
Após reconhecerem a atual situação do ensino público em nosso país, a idéia de gestão democrática na escola está sendo fortemente difundida, como consta na LDB (Leis de diretrizes e bases) nº 9394/96, quando defende que deve haver um fortalecimento da descentralização do poder.
Conforme analisado em um estudo de caso, tal texto indica, a priori, que a administradora da escola parece ter um caráter democrático devido a ser muito receptiva com a igreja local da qual faz parte, que tem papel importante nas decisões tomadas por ela, porém, deve-se tomar cuidado com o conceito de democracia, pois o mesmo pode ser manipulado e usado em favor próprio.
Realizar uma gestão democrática é tentar buscar atender as expectativas de uma sociedade em relação à escola, mas para isso é fundamental que as relações entre educadores e a sociedade sejam mais flexíveis e menos autoritárias.
Diretor
O diretor tem um papel fundamental nessa relação, pois ele deixa de ser a autoridade única da escola e passa a ser o articulador das ações e interesses de todos os segmentos, pois em uma gestão democrática, as decisões devem ser partilhadas com a comunidade. Dessa forma, ele deixa de ser aquela figura que só se preocupa com os papéis,  com burocracias, que não participa das decisões e atitudes pedagógicas. "...é preciso um novo diretor, libertando-o das suas marcas de autoritarismo, redefinindo o seu perfil, desenvolvendo características de coordenador, colaborador e de educador, para que consigamos implementar um processo de planejamento participativo de representatividade dos segmentos da comunidade interna." (Assis, 2008)
Porém, não é tão simples assim lidar com a gestão democrática, pois lidar com pessoas e idéias diferentes não é nada fácil. Faz parte da participação de cada elemento nessa gestão democrática aprender a conviver com o diferente, com as idéias contrárias as suas. Dessa forma, esse é mais um ponto importante da gestão democrática, pois ao exercê-la, nota-se claramente a conquista da cidadania, a capacidade de perceber e conviver com direitos e deveres, sempre respeitando os demais, e essa situação se estende para fora da escola e se aplica na vida de todos que fazem parte do processo. "Partilhando a gestão com a comunidade, a escola finca raízes, vai buscando soluções próprias, mas adequadas as necessidades e aspirações dos alunos e de suas famílias, e conquista, aos poucos, autonomia para definir seu projeto." (Setubal, 1995, pág. 4)
Participação coletiva
Nesse tipo de gestão todos saem ganhando, o aprendizado acontece em mão dupla, pois a participação da família nos assuntos que dizem respeito à educação é um grande aliado dos professores, que podem aprender muito a respeito de seus alunos e conhecê-los melhor, além de ser um estímulo aos próprios alunos ao verem suas famílias contribuindo com medidas e soluções. "Ao longo de sua participação, vão se envolvendo com o processo pedagógico. Quando pais e educadores estão presentes nas discussões dos aspectos educacionais, estabelecem-se situações de aprendizagem de mão dupla: ora a escola estende sua função pedagógica para fora, ora a comunidade influencia os destinos da escola. As famílias começam a perceber melhor o que seria um bom atendimento escolar, a escola aprende a ouvir sugestões e aceitar influências." (Setubal, 1995, pág. 9)
Conselho escolar
O conselho escolar, associação de pais e mestres, conselho de classes, reuniões com opiniões do corpo docente, discussões para melhorias da escola e da educação em si, entre outros, são alguns exemplos de como a gestão democrática acontece na escola. "A maneira mais comum de assegurar a participação de todos interessados na gestão da escola é a instalação de um conselho escolar: um grupo de representantes de pais, professores, alunos, funcionários e direção, que se reúne para sugerir medidas e soluções ou para tomar decisões." (Setubal, 1995, pág. 11)
É muito importante que fique claro que a gestão democrática é um passo para uma sociedade mais igualitária, não só no âmbito escolar, mas na sociedade como um todo, pois, conforme Lemme, "...somente numa sociedade verdadeiramente democrática será possível o florescimento de uma escola democrática e popular." Na gestão democrática surge um sujeito coletivo, irradiando a relação de mando e submissão.

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